How much must be forgotten, out of love,
how much must be forgiven, even love.
Todas as tentativas de afastar
o assim chamado cálice de amargura -
pela reflexão
pela frenética ação em favor dos gatos de rua
a respiração profunda
a religião -
fracassaram
é preciso aceitar
baixar manso a cabeça
não torcer as mãos
usar o sofrimento com medida e ternura
como uma prótese
sem falsa vergonha
mas também sem orgulho inútil
nada de brandir os restos da amputação
sobre a cabeça dos outros
nada de bater com uma bengala branca
sobre a janela dos saciados
beber o extrato de ervas amargas
mas não até o fim
guardar por precaução
algumas gotas para o porvir
acolhê-lo
mas ao mesmo tempo
diferenciá-lo em si
e se isso for possível
criar da matéria do sofrimento
uma coisa ou uma pessoa
jogar
com ele
sim
jogar
brincar com ele
com muito cuidado
como se brinca com uma criança doente
para arrancar-lhe por fim
com truques bobos
a sombra
de um sorriso
Claraboia. José Saramago
(via @renata_ze)
A Cura de Schopenhauer. Irvin D. Yalom
(via @xandraloren)
O Velho da Horta. Gil Vicente
(via @higatiemi)
A jangada de pedra. José Saramago
(via @leticiabortolon)
No ritmo dessa festa. Bruna Lombardi, pág. 10
(via @thiagoperin)
(…)
and if you have the ability to love
love yourself first
but always be aware of the possibility of
total defeat
whether the reason for that defeat
seems right or wrong -
an early taste of death is not necessarily
a bad thing.
Ela tentava ver-se através do próprio corpo. Por isso, passava longos momentos em frente ao espelho. (…) Não era a vaidade que a atraía para o espelho, mas o espanto de descobrir-se. Esquecia que tinha diante de si o painel dos mecanismos psíquicos. Acreditava ver sua alma se revelando sob os traços do seu rosto.
O que hoje existe não é comunidade: é simplesmente o rebanho. Os homens se unem porque têm medo uns dos outros e cada um se refugia entre seus iguais: rebanho de patrões, rebanho de operários, rebanho de intelectuais… E por que têm medo? Só se tem medo quando não se está de acordo consigo mesmo. Têm medo porque jamais se atreveram a perseguir seus próprios impulsos interiores. Uma comunidade formada por indivíduos aterrorizados com o desconhecido que levam dentro de si.